ROTURA DE ANEURISMA DA AORTA ABDOMINAL: QUAL A VERDADEIRA PREVALÊNCIA DE DOENTES SEM CRITÉRIOS PARA RASTREIO OU TRATAMENTO ELETIVO?

Autores

  • Andreia Coelho Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho
  • Miguel Lobo Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho
  • Ricardo Gouveia Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho
  • Jacinta Campos Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho
  • Rita Augusto Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho
  • Nuno Coelho Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho
  • Alexandra Canedo Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho

DOI:

https://doi.org/10.48750/acv.116

Palavras-chave:

Aneurisma da aorta abdominal, Rastreio, Prevenção primária, Rotura de aneurisma da aorta abdominal, Fatores de risco

Resumo

Introdução: A rotura de um aneurisma da aorta abdominal (AAA) é um evento frequentemente fatal, responsável por cerca de 1% da mortalidade global. Estudos publicados constatam que o rastreio é custo-efetivo em doentes do sexo masculino com idade superior a 65 anos, com uma redução de 44% da mortalidade específica por AAA. Estudos na literatura, incluindo o UK Small Aneurysm Trial participants, concluíram não existir beneficio a longo prazo do tratamento eletivo precoce de AAA (40-55mm). No entanto, estes estudos foram realizados previamente à vulgarização do tratamento endovascular de aneurisma (EVAR). Uma vez que a realização de EVAR é mais simples em doentes com AAA de menores dimensões, estudos comparativos entre tratamento expectante e EVAR estão em curso. O objetivo deste estudo foi identificar a percentagem de casos de roturas que ocorrem antes da idade de rastreio bem como antes do limiar de tamanho para tratamento eletivo. Pretendeu-se também identificar preditores de rotura fora do limiar para rastreio ou tratamento eletivo.

Métodos: Foram selecionados os doentes admitidos no nosso centro com o diagnóstico de rotura de AAA entre janeiro de 2007 e dezembro de 2015 e procedeu-se à análise estatística dos dados.

Resultados: Foram selecionados um total de 60 doentes, 52 do sexo masculino e 8 do sexo feminino. A idade média à data da rotura foi de 74,6±9,5 anos. Onze doentes (18,3%) dos doentes tinham idade inferior a 65 anos, 21% dos doentes do sexo masculino. O diâmetro transversal médio à data da rotura foi de 72,8±20 mm. 12 doentes (20%) apresentavam dimensões inferiores a 55 mm à data da rotura, sendo que apenas em um caso se confirmou uma etiologia infeciosa. Em mulheres a prevalência de roturas antes dos 55 mm atingiu 37.5%, por oposição a 15.4% no sexo masculino, sem diferença estatisticamente significativa. A rotura ocorreu em diâmetros significativamente inferiores em fumadores (p<0,05).

Discussão: Dados deste estudo demonstram que 21% dos doentes do sexo masculino sofrem rotura de AAA antes de atingirem o limiar de idade para rastreio. Também se constatou que 20% dos doentes tratados em contexto de rotura não tinham atingido o limiar de diâmetro para reparação eletiva. A rotura ocorreu em aneurismas significativamente mais pequenos em doentes fumadores (p<0,05).

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Publicado

2017-11-16

Como Citar

1.
Coelho A, Lobo M, Gouveia R, Campos J, Augusto R, Coelho N, et al. ROTURA DE ANEURISMA DA AORTA ABDOMINAL: QUAL A VERDADEIRA PREVALÊNCIA DE DOENTES SEM CRITÉRIOS PARA RASTREIO OU TRATAMENTO ELETIVO?. Angiol Cir Vasc [Internet]. 16 de novembro de 2017 [citado 16 de janeiro de 2026];13(2):35-41. Disponível em: https://acvjournal.com/index.php/acv/article/view/116

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